O poder da paleta de cores na história da arte

Olá, gente!

Vocês já pararam para analisar as paletas de cores de algumas obras famosas?

Primeiro eu queria explicar para vocês que a paleta de cores é um conjunto de cores que são selecionadas e quando utilizadas de forma harmônica, passam uma ideia, uma identidade visual, um sentimento ou uma sensação.

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Obra da artista Logan Ledford

Dependendo da forma como ela é usada, muda totalmente a percepção da pessoa sobre a pintura. 

Analisando as obras do período do Renascentismo, entre os séculos XIV e XVII, percebemos que os artistas utilizavam muito as cores amarelas, vermelhas e muitos tons de bege. Essa época começou também a se usar bastante a perspectiva (que eu já comentei aqui). Veja os exemplos de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci e O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli:

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Já entre os séculos XVII e XIX, durante o período Barroco, onde os sentimentos eram  expressados de maneira exagerada e, por isso, nesse estilo bem realista e que retrata diversas classes sociais, percebemos um fundo escuro e bastante jogo de luz e sombra, intensificando a sensação de profundidade, através do contraste claro-escuro, para dar um ar dramático às obras. Como, por exemplo, essas obras de Caravaggio e Rembrandt:
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De outro modo, no século XIX, com o movimento artístico denominado Impressionismo, eram utilizados vários tons de uma mesma cor. Outra principal característica era a incidência de tonalidades dependendo da luz solar, sendo assim, a luz e a sombra eram obtidos conforme as regras das cores complementares, demonstrando tons muito luminosos e coloridos. Veja o quadro Regatas em Argenteuil, de Claude Monet:

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Por sua vez, durante o período do Cubismo, no século XX, os elementos da natureza eram representados através de formas geométricas e linhas cruzadas, deixando de fora a perspectiva e focando em apenas duas dimensões. Nesse movimento foram usadas cores mais fortes, mais saturadas e puras, como o amarelo-berrante e o vermelho-turquesa. Como exemplo, veja essas obras de Georges Braque e Pablo Picasso:

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A utilização correta das cores é importante para ambientar o que você quer expressar na sua obra! As cores influenciam no tamanho e formato dos objetos pintados e há infinitas maneiras de você manuseá-las.

Acompanhe os vídeos no meu canal do Youtube (Marco Costerus) para exercitar sua criatividade!

Inclusive eu já falei para vocês sobre a harmonia das cores: VEJA AQUI! 

Gostaria de saber mais sobre como utilizar a paleta de cores? Clique aqui e se inscreva no meu curso!

 

 

 

 

As versões de O Grito, de Edvard Munch

Olá, gente! Professor Costerus aqui!

Hoje eu vim aqui contar uma curiosidade para vocês. O quadro O Grito, de Edvard Munch, famosa obra em que o artista transmite sentimentos de medo, solidão, ansiedade e angústia, na verdade, possui 4 versões.  

Essa obra foi exposta pela primeira vez em 1903 e fazia parte de um conjunto de seis peças intituladas Amor. A ideia do artista era representar as várias fases de um caso amoroso, desde o fascínio inicial até a ruptura traumática, a qual era representado pelo O Grito.

No entanto, a recepção pela crítica não foi boa e o conjunto foi classificado como arte demente. Mas a reação do público foi antagônica e tornou-se motivo de sensação.

A versão mais conhecida da obra, mede 91 x 73,5, pintada em 1893, com tinta a óleo, têmpera e giz pastel sobre cartão e atualmente se encontra na Galeria Nacional de Oslo, na Noruega.

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Outra versão dessa obra, também datada de 1893, é menos detalhada e desenhada com lápis de cor e também está localizada na Galeria Nacional de Oslo. É possível ver alguns detalhes que o artista alterou, como a ausência de barcos e a mudança na postura da pessoa ao fundo, que aqui encontra-se de lado, olhando a paisagem.

 

Em 1895 o artista fez uma versão em pastel sobre cartão e também há diversas alterações na imagem, como por exemplo, um homem está apoiado na ponte, como se estivesse lamentando, e o outro está analisando a paisagem. Há apenas um barco nessa imagem.  Essa obra pertencia a uma coleção particular e em 2012 tornou-se a obra mais cara arrematada em um leilão, vendida por US$ 119,9 milhões.

 

A versão de 1910 foi feita em têmpera sobre cartão e também estava na Galeria Nacional de Oslo. No entanto, ela foi roubada em 2004 e recuperada, em 2006, com danos irreparáveis, segundo os especialistas.

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Recentemente essa obra teve mais um segredo revelado. Isso porque alguns pesquisadores do Museu Nacional da Noruega descobriram que o próprio Edvard Munch deixou uma mensagem no canto superior da tela, com lápis e letras pequenas, que diz: Só pode ter sido pintado por um louco. 

Por muito tempo essa mensagem foi alvo de investigação, pois era vista como um ato de vandalismo pelos apreciadores de arte, mas chegaram a essa conclusão após uma perícia usando tecnologia infravermelha que comparou com notas e cartas de Munch

Acredita-se que a inscrição tenha sido adicionada pelo artista após os comentários críticos na época que questionavam a saúde mental do autor

Gostou da curiosidade?

Acompanhe os vídeos no meu canal do Youtube (Marco Costerus)! 

 

 

 

 

 

Vencendo a insegurança!

A arte tem uma grandeza humanizadora e uma capacidade imensa de afetar as pessoas, tanto como uma ferramenta de trabalho, como na forma do sujeito pensar, agir e ser no mundo. Há diversos benefícios que a prática da pintura traz, pois expressar-se através da arte permite a liberação de dopamina e endorfina, que são hormônios que proporcionam uma sensação de prazer e bem-estar e são liberados também, por exemplo, quando praticamos exercício físico.

Mas apesar desses benefícios todos, quando vamos pôr o plano em ação, a insegurança bate, não sentimos confiança no nosso trabalho e nos sentimos incapazes de pintar e então você não sai do lugar.

Pode ter certeza que isso não acontece só com você.

Você sabia que Vincent Van Gogh também se sentiu inseguro? O pintor holandês, nascido em 1853, decidiu colocar sua arte em prática apenas em 1880 e morreu em 1890. Nesses 10 anos ele pintou centenas de quadros, mas vendeu apenas um em vida. Quando ele retratou o seu famoso quadro Noite Estrelada, pensou que talvez nem fosse tão bonito assim.
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Conforme uma reportagem sobre Van Gogh, produzida pela Istoé, em uma carta que o pintor escreveu ao seu irmão, Theo, ele disse: “Todas as coisas que considero um pouco boas são o campo de trigo, a montanha, o pomar, a oliveira, as árvores com as colinas azuis, os retratos e a entrada para a pedreira. O restante (como a “A Noite Estrelada”) não me diz nada”.

Mas o que podemos fazer no momento em que a insegurança bater?

Eu te adianto que não há uma fórmula mágica. É importante desenvolver algumas técnicas que vão te ajudar a fortalecer a sua confiança!

Quando você for iniciar uma pintura em tela, decida previamente o que você quer pintar. Se pergunte qual imagem você quer representar na sua tela e imagine todos os detalhes. Isso já vai te dar mais firmeza para dar o pontapé inicial e continuar o trabalho. Pense sempre antecipadamente nas particularidades do tema da sua obra, até que você tenha um domínio, ou seja, até que isso se torne natural.
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Exercite a sua mente para criar confiança! Nos tornamos pintor, apenas pintando! E o primeiro passo é sair da sua zona de conforto, colocar o esboço no papel e treinar muito, assim você desenvolve a criatividade e fortalece a confiança na sua arte. No final, quando você for assinar seu quadro, tenho certeza que sentirá muita felicidade e um orgulho imenso do seu trabalho. A alegria traz boas expectativas!  

Eu acredito em você e sei que você não vai desistir de pintar!

 

 

Elementos de luz e sombra na arte

Eu sempre recebo muitas perguntas dos meus alunos sobre como fazer sombras na pintura. Eu já fiz um vídeo no meu canal explicando como aplicar a técnica, mas queria te contar um pouco mais sobre a importância da luz e sombra na arte

A luz forma tudo o que nós vemos, ela atinge nossos olhos trazendo informações constantemente. E como eu disse lá no meu vídeo, luz e sombra é quase tudo em um quadro, pois são elementos básicos para dar volume aos objetos.

Estudá-los é essencial para aprender a fazer boas obras, não importa qual o estilo você escolher.

Luz e sombra dão autenticidade e deixam o desenho mais próximo de uma visão realista. Exceto se você for desenhar uma noite toda escura ou um quarto com a luz apagada (nesse caso não precisa de nada, é só pintar uma tela toda preta), deve haver pelo menos um pouco de luz que refletirá nos objetos retratados, deixando-os mais claros e dando espaço à sombra.

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A Vocação de São Mateus (1599-1600), de Caravaggio

Tão importante quanto a perspectiva (que eu expliquei anteriormente aqui no blog), o uso da luz na pintura no quadro bidimensional proporciona uma aparência tridimensional (3D), criando a ilusão de ótica e dando veracidade à imagem. Na ausência desses elementos, a figura fica plana. 

Há dois tipos de fonte de luz, a direta e a difusa. A direta é aquela que é, por exemplo, equivalente à luz do sol ou de uma lâmpada, por sua vez, a difusa é quando não há um foco específico, não se sabe exatamente da onde ela vem e ela se distribui no ambiente.

Quanto à sombra, há aquela que é própria do objeto, ou seja, ela aparece quando ele está voltado para o foco de luz e a parte de trás fica mais escura que a frente. E também existe a sombra projetada, que se encontra fora do objeto, formando um obscurecimento próprio, por exemplo, a sombra de uma árvore no chão.

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Portanto, podemos analisar que dependendo da direção e da intensidade que se encontra o foco de luz, haverá uma quantidade maior ou menor de sombra, com maior ou menor contraste. 

Pare um pouco para analisar ao seu redor, tudo o que nós vemos tem luz e sombra. Observe não só como a sombra se comporta, mas como a luz atua também.

Pintar é um desafio! Estimular seu senso crítico e suas habilidades de percepção são exercícios essenciais para sempre estar aperfeiçoando a prática e desenvolvendo técnicas específicas com a luz e sombra. 

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Giorgio Morandi (1956)

 

Na hora de colocar em prática, ao pintar sua tela, tenha em mente por onde a luz vai entrar e como ela vai aparecer no seu desenho, defina o horário do seu quadro e a intensidade da luz e das sombras. Dessa forma, você já vai treinando e melhorando a aplicação desses elementos.

E eu continuo te dando a mesma dica: TREINE MUITO, pois só assim conseguimos desenvolver a nossa autoconfiança e habilidade!

Acompanhe os vídeos no meu canal do Youtube (Marco Costerus), pois sempre estou mostrando como aplicar luz e sombra em diversos contextos e paisagens. 

E inscreva-se no meu curso (clicando aqui), porque eu tenho certeza que com a minha experiência e as dicas que eu tenho pra te dar, você vai aprender a aplicar a luz e sombra no seu quadro, sem erro!

A importância da perspectiva na pintura

A tela de pintura é uma superfície reta e é preciso dar uma profundidade ao desenho para reproduzir uma imagem próxima ao real.  A perspectiva é um ingrediente fundamental para que possamos desenhar em um plano bidimensional e dar a ideia de 3D que é assimilada pelos olhos humanos.

Para aplicar a perspectiva à pintura, é necessário ter uma linha do horizonte e um ponto de fuga, então os objetos vão reduzindo de tamanho em direção a esse ponto, indicando a direção da conversão dos ângulos paralelos do objeto, que tem distâncias diferentes em relação ao observador, criando a ilusão de profundidade. Então os objetos mais próximos do observador parecerão maiores do que aqueles que estão distantes, criando uma ilusão de ótica, enganando o cérebro para acreditar que aquilo que estamos vendo no quadro é de fato algo real.  

 

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A perspectiva também indica a localização do espectador no que se refere ao desenho, ou seja, a linha do horizonte mostra a altura do olhar deste em relação ao objeto, por sua vez o ponto de fuga indica a direção e nível que o observante está perante o item desenhado. Essa perspectiva é chamada de cônica.

O quadro de pintura, por ter duas dimensões, tem que transmitir através de uma imagem visual a ilusão de uma terceira dimensão. Para entender melhor, você deve estar atento à localização, à distância entre os objetos e ao tamanho relativo entre eles, e quando um ou mais objetos estiverem no mesmo plano, a proporção entre eles deve ser real. Por exemplo, se você for desenhar uma flor e uma árvore, a árvore será realmente maior do que a flor.

No entanto, através da ideia da perspectiva, é possível que uma flor seja aparentemente maior do que a árvore. Para que isso ocorra, basta que a flor esteja em primeiro plano e a árvore esteja localizada mais atrás, para que se enxergue ela menor.

 

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Resumindo, é esse o papel da perspectiva: intensificar a ilusão de ótica para que o observador acredite que o seu desenho é real. 

Outra técnica de perspectiva é a chamada atmosférica, que acontece através de variações de luz e cor. Para obter uma ilusão de profundidade, o artista utiliza cores mais luminosas e contornos mais nítidos nos objetos mais próximos, e naqueles mais afastados são pintados de formas menos nítidas e com cores semelhantes às do fundo. 

Isso acontece em razão das partículas que ficam suspensas no ar, como por exemplo, poeiras do ambiente e gotículas de água, e quando a luz bate nessas partículas, ocorre o efeito de refração. Os pintores usavam essa perspectiva, detalhando os objetos mais distantes como mais pálidos e menos detalhados.

Curiosidade: o termo perspectiva atmosférica foi designado por Leonardo Da Vinci, que descreveu que o ar não é um meio totalmente transparente, além de ser mais denso próximo do solo, e com o aumento da distância do ponto de observação, o objeto torna-se menos claro e mais matizado e incolor. Repare, por exemplo, no fundo do quadro “A Virgem e o Menino com Santa Ana”, de Da Vinci (1513).

 

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Tudo o que a gente observa tem o impacto da perspectiva, uma vez que tudo o que você vê está em um determinado ângulo ou posição, e é importante para que o objeto se identifique de forma ordenada e coesa na tela de pintura. 

Portanto, quando planejar o seu trabalho, ao utilizar esses métodos, você definirá quais são os elementos que ficarão em destaque para transmitir a sensação de uma ordem de disposição dos objetos em relação ao observador da sua obra.

A melhor forma de você aperfeiçoar essas técnicas e evoluir na arte é TREINAR MUITO! Para isso acompanhe os vídeos no meu canal do Youtube (Marco Costerus) e se inscreva no meu curso (clicando aqui), onde eu dou muitas outras dicas para facilitar a aplicação da perspectiva em figuras e objetos.